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Geraldo Fernandes - Restaurante Zuleika

Espaço do Empreendedor

O executivo Geraldo Fernandes trabalhou anos como desenvolvedor de produtos financeiros, em bancos, até que perdeu o emprego e decidiu dar uma guinada na vida. Comprou um pequeno café na Rua Bernardino de Campos, em Campinas - SP, e aos poucos foi ampliando o negócio. Começou a trabalhar com a doceria Zuleika Doces, uma empresa que já era conceituada no mercado, mas inovou ao introduzir um restaurante no mesmo local, oferecendo mais opções aos clientes.

No princípio servia alguns pratos prontos, mas a demanda foi crescendo e decidiu implantar o sistema de buffet, que foi muito bem aceito pela clientela e possibilitou a abertura de novas lojas. Atualmente, são seis unidades do Restaurante Zuleika e doze lojas Zuleika Doces, conhecidos e reconhecidos na cidade. Saiba mais sobre os desafios de tocar um negócio na entrevista abaixo.

Quando você abriu o primeiro Restaurante Zuleika?

A doceria nasceu em 1975, mas o restaurante foi em 2005. A ideia foi  incorporar a alma da Zuleika Doces com restaurantes. E tudo isso graças ao desemprego, porque algum dia alguém achou que eu não deveria mais ser o diretor de produtos de um grande banco e aí me tornei diretor de produtos da área alimentícia.

Tem alguém que te ajuda a tocar as lojas?

Na realidade, são franqueados e cada loja tem um proprietário.

Qual é a diferença de ser empregado e abrir seu próprio negócio?

Acho que a maturidade que adquiri em anos de desenvolvimento de produto para empresas multinacionais me deu a bagagem de gestão que eu necessitava. Mas eu vejo a indústria alimentícia como mais criativa. Não há um dia que você não veja na gôndola de um supermercado ou num restaurante algo novo, seja um prato ou um jeito novo de fazer a mesma coisa.

Você está todos os dias no negócio?

Sim. E estou em todas as áreas, seja no salão ou atrás do caixa. Estou para a parte boa, dos elogios, e também para as críticas que os clientes têm a fazer. E não há uma única reclamação que deixe de ser averiguada, porque nós somos pequenos, mas somos pequenos arrogantes, queremos ser bons.

Como você faz para manter o padrão de qualidade na Zuleika?

A qualidade vem de uma seleção muito criteriosa de fornecedores. Se falta no fornecedor algum produto que estou habituado a comprar, opto pelo superior, nunca ofereço algo inferior. Se o preço deixou de ser convidativo, eu aumento o preço. Porque um cliente que se perde por preço, volta amanhã, um cliente que se perde por problemas de qualidade, não volta nunca mais.

E como é a relação com os funcionários?

Temos aqui o mesmo problema que acontece em todas as empresas. É muito difícil arrumar gente boa e competente. Você contrata uma pessoa inexperiente, treina, dá suporte e depois de um tempo ela vai embora buscar o lugar dela, porque nós somos uma empresa pequena e não temos espaço para um plano de carreira. O que nós fazemos é tentar dar um pouco mais de qualidade de vida e reter esse talento. De que forma?

Os nossos funcionários só trabalham de segunda a sexta, os 10% de taxa de serviço são repassados para o salário deles, nós damos café da manhã, almoço, lanche da tarde e uma cesta básica em dinheiro. Pode parecer pouco, mas é muito significativo para aqueles que estão no dia a dia com a gente.

O ambiente ajuda a reter esse funcionário?

Sim, com certeza. Sempre procuramos manter a motivação, mas o que segura é o ambiente. Se você tem a premissa natural de que os funcionários são iguais ao patrão, eles percebem. Aqui tem um clima muito de amizade. A sua alegria é transferida para os funcionários. A gente vem crescendo em cima da simpatia.

E isso reflete também no cliente?

Sim. Já tivemos prêmios de reconhecimento de simpatia, qualidade de atendimento. Problemas sempre existirão, mas é muito mais fácil resolver quando se está entre amigos. O problema não está no erro, está na forma como você vai corrigir esse erro. Aqui, felizmente, achamos que temos tomado atitudes corretas.

Qual é o carro chefe da doceria?

Cada loja tem um perfil. Algumas vendem mais um determinado tipo de doce e outras vendem mais salgados, almoços, etc...

Quais dicas você daria a quem quer abrir um negócio?

A primeira coisa que eu diria é para procurar o Sebrae, para saber se você realmente tem o perfil para empreender. Como qualquer coisa que você queira fazer na vida, a palavra chave é dedicação. Com um 1% de inspiração e 99% de trabalho você consegue ter o que você quiser.

Não olhe o movimento dos outros, não pense em montar algo igual ao concorrente. A empresa tem que ter DNA e isso é algo que não se copia. Procure achar alguma coisa na qual você será diferente.

Outro ponto importante é a vestimenta da loja. Primeiro tem que se vestir bem para paquerar o cliente, depois ser simpático e ter humildade, e terceiro fazer um bom produto. Mesmo que seja exatamente igual ao do seu vizinho, faça melhor que ele. E por último você define seu preço, com base nos benefícios que está oferecendo.

Meu conselho principal é se prepare, arrume bons parceiros e tenha planejamento. Não comece um negócio como aventureiro.

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